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Até breve

Sempre fui péssimo em dizer adeus, independente da situação ou das pessoas envolvidas. No entanto, eu queria escrever algumas palavras àqueles que estiveram comigo no curta “Mar do Poeta”. Talvez você, que chegou aqui por acaso, entenda o que virá a seguir como um monte breguices mal escritas e inúteis. Pode ser. Mas essas palavras não são para você: são para os outros – para nós.

Em primeiro lugar, obrigado a todos. Acreditem, é de coração. Obrigado por me fazerem uma pessoa melhor. Obrigado por todos aqueles dias. Obrigado pela chuva. O frio. A noite. Obrigado por você estar lá.

Em segundo lugar, queria dizer que apesar da “história” do filme continuar nos festivais e mostras, eu preciso seguir em frente. Sim, todos vocês sabem que o “Mar do Poeta” marcou a minha vida (e acho que fez o mesmo com muitos…), mas eu não posso ficar preso a ele. Tenho outras histórias para contar, em filmes, contos e séries. E tais histórias são tão importantes quanto o “Mar do Poeta”. Lembrem: tudo o que vivemos só ganha sentido quando olhamos para frente, e não o contrário, como muitos imaginam.

Em terceiro lugar, preciso revelar o meu desejo de voltar a trabalhar com vocês. Tenho uma regra muito simples: sempre tento trabalhar com pessoas que conseguem me ensinar algo. Mas não pense que esta aprendizagem se reduz a uma condição profissional. Um grande engano. O essencial é aprender para a vida.

Quarto. Desculpa a todos. Pelos meus enganos. Por minhas escolhas. Por eu não ser aquilo que sempre desejaram. Pelo silêncio.

Por último, queria dizer que não vou escrever “adeus”, nunca, pois, como sabem, tenho dificuldades de fazer isso. Vou te dizer “até breve”. Até a próxima esquina da vida. Eu estarei lá, esperando você. Um grande abraço.

Lançamento do filme "Mar do Poeta"

Lançamento do filme "Mar do Poeta"

Local: Cine Bancários – Rua da Ladeira – Centro – Porto Alegre, RS

• 12 de setembro – 19h00

• 13 de setembro – 11h00

Encontro vocês por lá. Abraços a todos.

A quem interessa atender ao último desejo de um morto? O que se ganha com isso? Que sacrifícios são justificáveis para que se cumpra os desejos de alguém que já não está entre nós, os vivos, para exigir a satisfação de seus planos para o próprio funeral? Essas são perguntas que pairam ao longo da bela história de Mar do Poeta, curta-metragem que marca a estreia de Alan Mendonça Furtado na direção.

Para um filme de estreia, a proposta e realização de Furtado são audaciosas: o curta-metragem tem ares de filme de época em superprodução, ainda que se perceba ali muito mais o talento de um promissor cineasta que propriamente um orçamento elevado de produção. E talvez nisso resida a grande magia do filme: com poucos recursos, o diretor e sua equipe fizeram de Mar do Poeta um filme muito bem acabado, com uma direção de arte que funciona a favor da história e remete o expectador àquele tempo não referenciado no qual faz pleno sentido a história de um vigário que incita o prefeito de uma pequena cidade a juntar-se ao grupo de fiéis que cumprirá o último desejo do poeta local que acaba de falecer: ser sepultado à beira-mar. A empreitada é quase hercúlea se pensarmos que tudo isso se passa em um lugarejo muito distante do mar e em um tempo no qual o transporte do corpo precisa ser feito em carro de boi. No decorrer da história, diante das dificuldades de se conduzir aquele grupo de pessoas até o litoral para cumprir a última vontade de um defunto, o expectador questionará, junto com a personagem do prefeito, a validade de se empreender tão louca excursão. E é nessa pergunta crucial que reside a força e a razão de ser do filme: a quem serve a tarefa inglória de se atender ao pedido do poeta morto?

Outra questão sugerida pelo filme faz com que pensemos em sua importância: a quem serve o luto? O medo da morte, talvez melhor seria dizer a expectativa do momento da morte, faz com que a perda de alguém se torne o mais difícil dos acontecimentos. Pois o luto não existe pelo morto, mas pelos que permanecem. É um ritual de passagem necessário, através do qual o homem se torna capaz de retomar a vida e enfrentar a ideia de sua própria morte. É o que se vê em cada rosto do grande elenco que compõe a procissão de fiéis a carregar o corpo do poeta morto até a distante praia de seu sepultamento: fruto de uma boa direção de atores, vê-se em cada ator a motivação interna daquelas personagens, que empreendem tão penosa viagem na esperança de que também um dia suas mortes sejam respeitadas, suas vidas homenageadas pela falta que farão a alguém.

O curta-metragem tem cenas belíssimas, como a bem resolvida cena de abertura, na qual o vigário comunica ao prefeito sobre a morte do poeta, a genial e dinâmica cena em que os fiéis tentam retirar do atoleiro o carro de boi com o corpo do poeta e a emocionante cena em que os negros entoam um canto religioso em meio às agruras do caminho. Mas não se espere do filme de Furtado uma sequência de peripécias: é um filme de sutilezas, no qual cada bela imagem forma no expectador a mesma sensação de espera, a mesma pergunta em suspensão, jamais enfrentada por nenhuma das personagens, talvez por já estar respondida dentro de cada um: para que caminhamos? O cinema de Furtado, que se inicia nesse Mar do Poeta, parece caminhar no rumo de boas promessas futuras.

Publicada no site: http://locutoriodofrizero.blogspot.com/

Sobre o autor:

“Aspirante a escritor, tradutor bissexto, grato aprendiz de Graça Nunes e de Luiz Antonio de Assis Brasil, nasci no Rio de Janeiro trinta anos antes de tornar-me gaúcho por opção, em 1999. Porto Alegre é meu canto no mundo e daqui escrevo. Foi nesta cidade acolhedora que pude me dedicar inteiramente às Letras, seja nos cursos de Especialização e Mestrado, seja nos felizes anos em que fui professor de idiomas, seja nas boas amizades que a Literatura me proporcionou aqui. Em Porto Alegre, comecei a minha carreira de escritor e tradutor, descobri-me dramaturgo e aventuro-me como professor de Criação Literária em cursos livres.

Convido-te a conhecer meu site pessoal, no qual há mais informações sobre minha carreira e publicações: http://frizero.blogspot.com

Cartaz do filme "Mar do Poeta". © Alan Mendonça e Diego Ferrer | Surto Criativo 2011

Trailer

O filme “Mar do Poeta”  durante o tramento de imagem. Trabalho do editor e finalizador Daniel Griffin (Kubika).

Tratamento de imagem @ Daniel Grffin (Kubika) 2011

É com grande emoção que informo que terminamos o trabalho de som do filme “Mar do Poeta”. Abraço forte a todos que apertaram a minha mão e foram até o fim. O filme é para vocês. O filme sempre foi de vocês.

Pedrinho Figueiredo e Fernando Dimenor (Tec Áudio) mixando o curta © Marcelo Curia 2011

Pedrinho Figueiredo e Alan Mendonça © Marcelo Curia 2011

Em nome de toda equipe do filme “Mar do Poeta”, deixamos um forte abraço ao amigo João Batista que faleceu no último dia 11 de junho. Fica com Deus, Capataz.

João Batista - o Capataz

A música Kuonene Mzambi faz parte da trilha sonora do filme “Mar do Poeta”. No vídeo, Pedrinho Figueiredo, que assina a edição de som e trilha sonora.

Cansaço

Fim de semana inteiro trabalhando no filme. Estou muito cansado. Dormindo cada vez menos.

Fazer o desenho de som é como olhar o passado outra vez: tudo que aconteceu é recriado para servir à narrativa. Porém, de longe, de muito longe, a saudade chega numa cena, anunciando que a memória, a minha e a sua, também é uma ligação emocional com o som. Se for o mar, melhor, mas a daquela casa também serve.

E a frase estava lá, no meio da página, escondida, para se ler devagar quando o vinho adoçar a boca: “a felicidade não é encontrada na auto contemplação; só é percebida quando refletida em alguém.”.

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